DORT ou LER para os Íntimos

(matéria de Renata Soller Spalato extraída da Revista Terapia Floral Ano IV nº18 )

Conhecidas como LER, Lesões por esforço repetitivo, e registrada atualmente pela sigla DORT, distúrbio osteomuscular relacionado ao trabalho, as doenças do trabalho atingem um número cada vez maior de pessoas. Costumam ser freqüentes em quem enfrenta longas jornadas executando sempre o mesmo movimento e não perdoam os que vivem sob forte tensão emocional, pressão psicológica e estresse.

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Não é de hoje que os trabalhadores vem sofrendo no corpo as conseqüências do excesso de trabalho. A credita-se que as primeiras vítimas desse frenesi produtivo foram os escriturários. Já no começo do século 18, empolgados com os avanços dos tempos modernos, eles começaram a sofrer alguns sintomas, quando aposentaram as ultrapassadas penas de ave e passaram a escrever com penas metálicas, que agilizavam as tarefas.

Com o advento da caneta-tinteiro, que já vinha com reservatório de tinta, seus sucessores enfrentaram um outro agravante. Ao deixarem de fazer os movimentos alternados de molhar a pena no tinteiro e voltar a escrever, os escriturários dedicavam-se a produzir mais, em menos tempo e, dessa forma, aproveitar o tempo livre para continuar executando um trabalho que exigia basicamente sempre o mesmo movimento e esforço.

Sua meta era acelerar o ritmo de produção, mas o que eles não imaginavam é que o progresso, já naquela época, estipulava seu preço e o excesso de esforço repetitivo, aliado à falta de limites, foi o bastante para que surgissem os primeiros diagnósticos de lesões localizadas.

Mas só na década passada as chamadas lesões por esforço repetitivo foram batizadas com a sigla LER.

Hoje, em plena era informatizada (e principalmente por isso), a síndrome passou a representar uma ameaça ao trabalhador, uma pedra no sapato dos patrões, um desfalque na economia e no bolso do empregador e , sem dúvida, uma questão de saúde pública.

Crise de Identidade
As Ler passaram por uma crise de identidade, transformando-se oficialmente na nova sigla DORT, que significa distúrbio osteomuscular relacionado ao trabalho. Isso por que nem todas as lesões são causadas por esforço repetitivo. Algumas provêm de postura incorreta e muitas decorrem de métodos e condições precárias de trabalho. Para combater essas causas, a ergonomia vem aperfeiçoando os equipamentos de trabalho, de forma a ajustar cadeiras ao tipo físico da pessoa, criar apoio de teclados e mouses de computador, entre outros benefícios.

Grande parte das lesões, no entanto, é fruto da tensão, do estresse e do descontentamento profissional. Esse conjunto de patologias * atinge principalmente os membros superiores e a coluna cervical, mas nada impede que se manifeste na pernas, pés, joelhos ou tornozelos.

Nem mesmo a dona-de-casa está livre do DORT, quando estende roupas no varal e permanece muito tempo com o braço esticado, ou o professor que mantém o braço estendido na mesma posição enquanto escreve no quadro negro, além do ciclista que força os músculos das pernas, ou a costureira que flexiona os pés no pedal de sua máquina. A síndrome afeta o aparelho locomotor, comprometendo músculos, articulações e tendões, além de vasos, nervos e ligamentos. Em estágios avançados, provoca dores terríveis, perda de força muscular e falta d controle do movimentos, levando um número cada vez maior de pessoas ao afastamento do trabalho.

Falta de Tato
Segundo Nicholas Schorr, médico e sócio-diretor da Qualis, o DORT é conseqüência de um trabalho mal organizado. “Para preveni-lo, o trabalhador deve prestar atenção as sinais enviados pelo corpo. No caso das lesões, a dor é a manifestação, o alarme para sinalizar que estamos excedendo nossos limites”.
Entre as causas apontadas do crescimento maciço de casos da síndrome, nas indústrias, nos bancos e empresas em geral, , não se descarta a falta de tato dos patrões para lidar com as vantagens tecnológicas, exigindo do funcionário um emprenho cada vez maior, de “dar o sangue” (ou mais especificadamente os músculos, nervos, tendões e articulações) para superar as metas.

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O primeiro grupo de profissionais a adoecer no país foi o de digitadores do centro de processamento de dados do Banco do Brasil, que não deram ouvidos aos sinais enviados pelo próprio organismo. Atualmente mais da metade das licenças médicas nas empresas são atribuídas ao DORT. Entre os mais atingidos, estão os digitadores, metalúrgicos e caixas de bancos, que representam 70 por cento dos casos notificados de Ler no país.

Ossos do Ofício
Apontadas como o mal da era informatizada, as Ler são também bastante comuns entre jornalistas, escritores, secretárias, dentistas, telefonistas e enfermeiros. A síndrome ataca mais as mulheres, especialmente as que enfrentam dupla jornada de trabalho (for e dentro de casa). Resta saber por que entre os que se esforçam de mais, alguns se mantêm imunes à síndrome, enquanto outros , não.

Não descarte, de maneira alguma, as causas emocionais do DORT. Certamente o indivíduo bem resolvido, que gosta da empresa em que trabalha, tem certeza que escolheu a profissão certa e sente prazer no que faz, fica mais protegido contra as Ler do que aquele que acorda mal-humorado e permanece desgostoso e naufragado num oceano de reclamações o dia todo.

Segundo Herval Pina Ribeiro, doutor pela Faculdade de Saúde Pública da USP, a frustração ocorre principalmente quando o empregado não dispõe de autonomia nas atividades que realiza. O médico coordenador do programa de Prevenção, Detecção e Tratamento Precoce das Ler em trabalhadores bancários, acredita que a liberdade para fazer a própria escolha profissional serve de antídoto contra as lesões. E argumenta: “Na maioria das vezes, as pessoas não tem a chance de escolher suas profissões e trabalham porque precisam de dinheiro. Por causa disso, tudo o que fazem é por obrigação. Então projetam sua insatisfação para as ferramentas de trabalho, que são membros de seu corpo”.

Amor à arte
Nem sempre, no entanto, a causa da doença, está no descontentamento profissional. Luis Cesar Ferreira, 33 anos, artesão biju há 12, adora o que faz.  Sócio-proprietário da Korpus Nu, há cerca de cinco anos, amargou uma dolorida tendinite que o afastou do trabalho por 30 dias. “Um ano e maio depois que começamos a produzir bijus artesanais, o problema se manifestou”., conta. Durante seis meses, Luis Cesar vinha realizando o mesmo trabalho, para concluir a coleção de bijus. Segurando o arame com a mão esquerda e o alicate com a direita, fazia uma forte pressão, repetindo o mesmo movimento e esforço mais de oito horas por dia. De repente, começou  a sentir dor no pulso. O problema apareceu na mão direita, que era mais exigida. A dor chegou devagar até se tornar constante.
“Na época eu vivia um período de muita tensão. As encomendas não paravam. Vendíamos tanto que eu temia não dar conta. O compromisso assumido me levava a produzir cada vez mais e mais depressa. O braço formigava. Quando senti umas fisgadas fortíssimas que subiam até o ombro, procurei o ortopedista. O médico deu o diagnóstico. Perguntei qual o remédio. Ele respondeu: “parar de trabalhar”. Para evitar qualquer esforço de minha parte, engessou o braço por um mês. Só me livrei da dor quando parei de mexer com o alicate, mas até hoje não tenho mais firmeza nessa mão e ainda sinto a região quanto faço esforços repetitivos”.

Liberdade e prazer
Trabalhar sob pressão não é privilégio de poucos. Ao constatar que a maior parte dos instrumentistas da orquestra sinfônica de Montreal e Toronto sofriam de Ler, pesquisadores canadenses resolveram investigar cuidadosamente as causas do fenômeno. O objetivo da pesquisa era saber por que esses profissionais desenvolveram a síndrome, enquanto músicos de jazz, por exemplo, nunca haviam ouvido falar de algum caso de Ler entre eles. Constataram que, embora todos gostassem de ser músicos e utilizassem os mesmos instrumentos para tocar, sua rotina de trabalho era bastante diferente.

Os instrumentistas da orquestra sinfônica precisavam observar atentamente cada movimento do maestro e seguir seus comandos, o que exige muita disciplina, tensão e rigidez. Por sua vez, os músicos de jazz improvisam a todo momento, tocam com descontração e não são conduzidos por ninguém. Isso prova que o problema não está na execução do esforço em si, mas na maneira e sob que condições emocionais a pessoa trabalha.

Mais valia
“A síndrome não representa apenas um problema ortopédico, ergonômico, econômico ou psicossocial. É um retrato do ser humano do século XX que, com tantas facilidades, não está sabendo utilizar o tempo disponível”, argumenta Wagner Bellucco, médico homeopata. Nesse sentido, todo o desenvolvimento tecnológico, que surgiu para ajudar a humanidade, vem se transformando em um ameaça à qualidade de vida. Afinal a jornada de trabalho continua igual ou maior que antes, com uma quantidade de responsabilidades e atribuições ainda maior. Em grande parte, as doenças do aparelho locomotor surgem do desgaste físico e mental daqueles que correm contra o relógio para aumentar os ganhos e a produtividade.mas afetam também os que não encontram motivação naquilo que fazem, ameaçando ainda quem trabalha perturbado pelo medo de fracassar ou perder o emprego.

“O DORT deixa grandes marcas na vida do trabalhador, pois ataca a população economicamente ativa, que tem entre 18 a 50 anos”, afirma o Dr. Schorr. Quanto maior sua gravidade, maior o sofrimento psíquico do indivíduo, principalmente quando ele se vê afastado do trabalho. “A pior etapa da doença é quando o trabalhador sente sua capacidade profissional abalada. Dificilmente quem sofre de Ler volta à ativa na mesma área. Na maioria dos casos, eles até retornam ao trabalho, só que ocupando funções diferentes”, completa.

Emoções saudáveis para um corpo são
Se fatores emocionais, como insatisfação, falta de liberdade criativa, tensão e estresse colaboram no aparecimento da síndrome, a incapacidade de atuar, por sua vez, desencadeia novos problemas. Entre eles, queda na auto-estima, insônia, insegurança, medo, mau-humor e até depressão.Por isso, prescrever antiinflamatórios não vai resolver o problema. O melhor, nestes casos, é contar com a equipe multidisciplinar, tendo a mão o ortopedista, o fisioterapeuta e o terapeuta ocupacional, além do psicólogo. O auxílio de um bom terapeuta floral com conhecimentos amplos de psicologia, pode ajudar você a chegar mais rapidamente às causas emocionais do problema, para livrar-se dele o quanto antes.

Sem dúvida a ansiedade de produzir mais, gerando excesso de trabalho, pode desencadear o Dort. Alie a isso a insatisfação traduzida em sentimentos de raiva, irritação, aborrecimento e frustração, além do medo de tomar decisões precipitadas, e você estará muito mais propenso a desenvolver uma inflamação ou compressão na regiões preferidas pela síndrome.

Reação Psicossompática
Segundo Louise Hay, especialista em relacionar emoções e saúde, quando a Ler se manifesta em forma de síndrome do túnel de carpo, por exemplo, pode estar ligada à raiva e à frustração dos que se sentem injustiçados. A bursite pode ser uma reação à própria agressividade do indivíduo, vitimado pelo medo de agredir alguém. Problemas com as mãos indicam a nossa dificuldade em dar e receber, ou em lidar com o dia-a-dia, enquanto os braços comprometidos no impedem de “abraçar” nossas experiências.

Para Hay, a coluna cervical, que funciona como uma espécie de suporte da cabeça (e da mente), pode ser afetada quando o indivíduo se vê sem qualquer apoio emocional, mergulhado na dúvida em relação a sua capacidade e competência. Afeta, em geral, os indecisos, ressentidos e inflexíveis, que estão sempre tentando fazer mais do que podem, chegando a se culpar quando não conseguem seus objetivos. Essa região é atingida ainda por “emoções represadas” e pela sobrecarga de trabalho. Bloqueada, ela impede o movimento do pescoço, que nos permite enxergar o todo de forma abrangente.

Os ombros por sua vez, “suportam o mundo” e quando não agüentam mais caem, tornando-se uma presa fácil do Dort, especialmente se o dia-a-dia vem sendo um fardo difícil de carregar. A autora de Você Pode Curar Sua Vida acredita que os nervos são os informantes do nosso corpo e quando atingidos, denotam uma certa falha de comunicação entre a anatomia física e a sutil. Já as articulações comprometidas indicam resistência em aceitar mudanças, no caso, dos que estão mesmo insatisfeitos com sua ocupação.

A falta de habilidade em mudar de direção e lidar com novas experiências pode comprometer os cotovelos. A rigidez muscular, por sua vez, ocorre quando a pessoa exige demais de si mesma e encontra dificuldade de lidar com diferentes situações. Os ossos, simbolicamente, aparecem relacionados à nossa estrutura e flexibilidade mental. Quanto maior o estreitamento da mente e tensão, maiores as chances deles serem atingidos.

Florais que poderão auxiliar no tratamento de Ler e Dort

Padrão = Essência Floral

Impacientes (mais sensíveis a dor) = Impatiens (Bach)
Críticos demais = Beech (Bach)
Carentes = Chicory
Ressentidos = Willow
Amargos com raiva constante = Holly (Bach)
Exigentes demais consigo mesmos = Rock Water
Aqueles que ultrapassam os próprios limites de exaustão = Oak
Fanáticos pelo trabalho = Vervain (Bach)
Mandões = Vine (Bach)

Um ou mais desses florais de Bach fará parte da composição indicada para cada vítima do Dort, além do Rescue (5 flowers Healing herbs).

No Repertório dos Florais de Saint Germain está indicado as essências para tratamento do Ler: Mimosinha, Varus e Piper 

Poderá acrescentar as seguintes essências se for o caso:

Falta de prazer = Wild Rose (Bach) ou Melissa (Saint Germain)
Medo de perder o emprego e fracassar = Mimulus e Larch (Bach)
Sensação d incapacidade = Elm (Bach)
Medo de agredir alguém = Cherry Plum (Bach)
Tédio = Hornbeam (Bach)
Postura inadequada = Cestnut Bud (Bach)
Falta de perspectivas = Wild Oat (Bach)
Desgaste inútil de energia = Olive (Bach)
Ansiedade = Allium (Saint Germain)
Emoções represadas = Red Chestnut (Bach)
Estresse = Formula floral para o estresse (Saint Germain)

Medidas de Apoio

– Exija equipamentos adequados de escritório. Opte por aqueles que seguem a linha da ergonomia. Seu corpo precisa de conforto durante as horas que está trabalhando. Se você trabalha sentado, prefira cadeiras anatômicas, que respeitem o formato do corpo. Diante do computador, utilize apoio de mãos para digitar e, se a cadeira for alta, use suporte para os pés.

– Estabeleça pausas durante uma atividade e outra. Levante e se movimente. Não permaneça muito tempo na mesma posição.

– Mantenha-se atento a sua postura. Corrija-se toda vez que notar estar em posição inadequada.

– Pratique exercícios, no mínimo, três vezes por semana, para liberar o excesso de tensão acumulada.

– Explore a criatividade para que o trabalho não caia na rotina, até se tornar pura obrigação.

– Evite os desgastes emocionais. Procure driblar a carga de negatividade e livre-se do mau-humor

– Não acumule insatisfações. Tente encontrar saídas saudáveis para o seu dia-a-dia. Se for o caso arranje outro emprego. É ideal que você esteja contente naquilo que faz.

– Estabeleça metas saudáveis para cumprir, entre elas o respeito pelas horas de lazer. Não exagere na dose de trabalho e organize melhor o tempo para não se sentir sobrecarregado.

– Recuse-se a trabalhar em clima de “alta tensão”, procurando expor sinceramente o que pensa, resolver seus problemas e melhorar a relação com os colegas.

Tratamentos Complementares

Acupuntura

Lian Gong

Ginástica Laboral

RPG

Meditação

 

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