As essências florais, a ANVISA e a genialidade de Edward Bach

Texto de Rosana Souto (Maio/2019) https://cosmosdrops.wordpress.com/

Dr Bach e seus florais frascos antigos

O Dr Edward Bach, fundador da Terapia de Florais, e  frascos antigos de suas essências florais

Desde o grande boom dos Florais de Bach no Brasil, em 1990, de tempos em tempos os terapeutas florais veem-se ameaçados do exercício de sua profissão de forma integral.

Já sofremos uma verdadeira “caça as bruxas” em 1998, quando um mal-entendido em função de uma resolução do Conselho Federal de Medicina ( CFM 1499/98 ) proibindo aos médicos a utilização de práticas terapêuticas não reconhecidas pela comunidade científica, precipitou o confisco indevido de kits de essências florais em farmácias de manipulação  e, até mesmo, em consultórios de terapeutas florais.

Isso mobilizou a união de associações de terapeutas florais ( Abreflor ), produtores e o Sindicato Nacional dos Terapêuticos Naturistas ( SINATEN ) para defender a prática da Terapia Floral e o direito da dispensação das essências florais por farmácias e terapeutas. Como resultado, tivemos o ofício do Gabinete da Secretaria de Vigilância Sanitária SVS/GABIN/nº 479/98, assinado pelo então Secretário de Vigilância Sanitária, Sr. Gonzalo Vecina Neto. Este excluiu as essências florais do regime de vigilância sanitária, por entender que as mesmas não se tratavam de medicamentos, drogas ou insumos farmacêuticos. O ofício não eximia a responsabilidade das empresas pela produção e comercialização dessas substâncias dentro de padrões adequados ao consumo da população, tampouco, permitia indicações terapêuticas com finalidades preventivas ou curativas em sua comercialização.

Ofício Vecina ANVISA 1998

O ofício da ANVISA – Secretário Gonzalo Vecina Neto , de 1998

Com isso, após os devidos ajustes, especialmente com relação ao atendimento das recomendações pelos produtores e distribuidores de essências florais, estas seguiram seu curso transformando vidas nos consultórios dos terapeutas florais e demais profissionais, não proibidos por seus conselhos, e nas inúmeras iniciativas sociais espalhadas no país. A dispensação das mesmas pelos terapeutas florais sempre foi vista como sendo intrínseca ao exercício da profissão, podendo ser realizada de diferentes formas: do oferecimento de gotas diluídas em água, frente a um estado mais crítico do cliente, ao uso de sprays florais ou ainda, a preparação do frasco de tratamento. Já nas iniciativas sociais, este foi o meio encontrado para dispensar as essências florais gratuitamente aos menos favorecidos. Por outro lado, as farmácias, continuavam preparando as essências florais seguindo a prescrição de algum terapeuta ou mesmo a pedido de algum cliente interessado em usá-las para seu próprio Cura-te a ti mesmo.

Em 2007, uma outra ameaça ao exercício pleno da Terapia floral viria através do Conselho Federal de Farmácia, para atender os requisitos de uma nova Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) da Agência Nacional de Vigilância Sanitária ( ANVISA).  Na época, o CFF reivindicava, como exclusividade do farmacêutico magistral, o preparo dos florais. Mais uma vez a mobilização dos produtores, ressaltando a atuação da pesquisadora Maria Grillo, junto a associações, distribuidores de essências e até mesmo ao Ministério Público, garantiram a preparação dos florais de forma livre e acessível a todos.

Hoje, após pouco mais de uma ano da inclusão da Terapia de Florais na Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares abrangidas pelo SUS, vivenciamos mais uma vez, um momento de tensão junto à Agencia Nacional de Vigilância Sanitária, especialmente quanto ao Art. 21 da LEI 5.991 de 17/12/1973 que dispõe sobre o controle sanitário do comércio de drogas, medicamentos, insumos farmacêuticos e correlatos e da outras providências, a saber:

Art. 21 – O comércio, a dispensação, a representação ou distribuição e a importação ou exportação de drogas, medicamentos, insumos farmacêuticos e correlatos será exercido somente por empresas e estabelecimentos licenciados pelo órgão sanitário competente dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios, em conformidade com a legislação supletiva a ser baixada pelos mesmos, respeitadas as disposições desta Lei. ( o grifo é meu )

Tudo isto, devido à genialidade do Dr. Edward Bach. Quem no início do século passado desenvolveria um produto que “não é fitoterápico, não é fragrância, não é homeopatia, não é droga” e que “pode ser adotado em qualquer idade, não interferindo com outros métodos terapêuticos e/ou medicamentos, potencializando-os”? ( Portaria MS 702 de 21 de março de 2018 ).

Como se isso não bastasse, o tal produto ainda pode ser usado de diferentes formas: ingerido na forma de gotas, adicionado à alimentos, à água, a sucos e/ou ao leite, à água do banho, aspergido no ambiente ou em torno do indivíduo, em compressas e/ou adicionado a diferentes veículos para uso tópico, tanto em humanos como nos animais e nos vegetais.

Definitivamente, a despeito da simplicidade dos métodos para sua obtenção, estamos falando de um produto altamente inovador. Tão inovador que foge totalmente ao estado da técnica de produtos químico-farmacêuticos e alimentícios vigente. Isto porque, quando falamos de essências florais, não estamos falando de produtos que contém uma quantidade mensurável de uma substância. Estamos nos referindo a um produto que contém qualidades ou virtudes armazenadas em água.  Elas não são alimento nem tampouco medicamento.

Quando usamos ou dispensamos as essências florais para terceiros, seja no ambiente, topicamente ou para serem ingeridas, na verdade, estamos espalhando ou semeando virtudes e/ou qualidades. Estas qualidades ou virtudes é que irão harmonizar os estados mentais e/ou emocionais negativos daqueles que se encontram em desequilíbrio. Neste sentido, a profissão do terapeuta floral equivale a de um jardineiro: um jardineiro a plantar/semear virtudes no terreno invisível da alma humana.

Por muito tempo aprendemos a valorizar as funções do nosso hemisfério cerebral esquerdo, depreciando as funções do direito. Seguimos os parâmetros da famosa academia de ciências, do século XVII, que teve Isaac Newton como um dos seus fundadores. Até hoje, considera-se científico, aquilo que obedece aos parâmetros traçados por uma visão ultrapassada e separatista do Universo e do ser humano: o universo e corpo humano máquinas, comandados pelo funcionamento de suas partes. Infelizmente, esta visão ainda é a predominante neste início de século XXI,  embora Einstein, há quase cem anos, já tenha nos revelado outra verdade: a verdade de que somos UM e que o invisível é real. A Física Moderna e a atual Física Quântica deram saltos exponenciais nestes últimos séculos. No entanto, ainda resistimos a abrir mão do modelo mecanicista, fundamentado na matéria, e  aceitar  a realidade do mundo invisível, de modo a valorizar as funções do nosso hemisfério cerebral direito, especialmente, a influência das emoções na nossa saúde física.

Edward Bach e Einstein foram contemporâneos. Ambos foram chamados pelo invisível.

Dr. Bach atuando cirurgião percebeu que seus pacientes, mesmo tendo recuperado o seu corpo físico, não conseguiam retomar suas vidas. Ele notou que havia um componente invisível que os impedia.

Com o objetivo de descobrir o que era este componente invisível, empreendeu toda uma pesquisa médica até encontrar, nas flores, um meio de adentrar este lado invisível do ser humano e aliviar seu sofrimento. Terminou por desenvolver todo um sistema floral, conhecido como os Florais de Bach.

No entanto, Dr. Bach foi muito além das suas flores. Ele também nos deixou os métodos para preparar as essências florais. E não os patenteou. Deixou para a humanidade sua mais importante invenção: os métodos de obtenção.  Por este motivo, como Engenheira Química treinada em Propriedade Industrial sempre vi o legado de Edward Bach muito maior que seus 38 florais.  Para mim, Dr. Bach é o pai de todos os sistemas florais que utilizam os métodos, desenvolvidos por ele,  para preparação de essências florais de qualquer parte do mundo, incluindo o Brasil.

Cópia da versão original do Heal Thyself com métodos de obtenção

Cópia da versão original do livreto Heal Thyself ( Cura-te a ti mesmo ), de Edward Bach, com as descrições dos métodos solar e de fervura de obtenção das essências florais

Além disto, Edward Bach inovou o estado da técnica de seus próprios produtos. Ao preparar uma essência floral utilizando apenas água pura de uma nascente curativa, Rock Water, pelo método solar, Edward Bach apontou-nos um novo caminho a ser explorado na obtenção de novas essências florais; a impregnação da água com outras expressões da natureza que não as flores.

Métodos de obtenção das essências florais Dr Bach Heal Thyself

Os métodos de obtenção, com detalhe das diretrizes para preparação de Rock Water, uma essência feita a partir da água pura de uma nascente e não de flores

Só a partir de 1999, é que o mundo teve conhecimento dos trabalhos do pesquisador japonês Sr. Masaru Emoto quanto à capacidade de a água armazenar informações. Este é o princípio fundamental das essências florais, antecipado por Edward Bach desde a década de 1930: informação/qualidade e/ou virtude impressa em água. Por este motivo, as essências florais fogem totalmente a qualquer tipo de produto existente com base quantitativa. Segundo Barnard (  BARNARD, 2012, p. 320 ),

Livros Julian Barnard

Livros de Julian Barnard, autoridade em florais de Bach, onde ele explica sobre a natureza qualitativa das essências florais

“ No caso dos remédios Florais de Bach, em nenhum momento existe uma quantidade que seja mensurável. Desde o início, a tintura mãe e o remédio contêm apenas qualidades; um padrão que não pode ser mensurado, pelo menos não por meios físicos. Essa qualidade é um meio de identificação, a característica que faz do remédio o que ele é.”

Portanto, qualquer classificação que não respeite a natureza inovadora das essências florais e a genialidade de Edward Bach, colocando-as como produtos quantitativos, sejam estes medicamentos ou alimentos, representará um retrocesso no avanço da Terapia de Florais no Brasil.

Por outro lado, vimos também que o legado do Dr. Edward Bach abrange não só seus produtos e sim outros preparados pelos métodos desenvolvidos por ele, sejam utilizando flores ou outras expressões da natureza.

Numa época em que enfrentamos o caos em vários serviços prestados à população brasileira, especialmente com relação à Saúde, Educação e Segurança Públicas, chega a ser estranho a elaboração de uma nova RDC com relação a dispensação das essências florais com risco de restringir ou, até mesmo,  inviabilizar à prática da Terapia de Florais nas suas mais variadas vertentes.

Será que para usar as essências florais em nós mesmos ou para colocá-las na água do banho de um bebê precisaremos ter um laboratório em casa, adequado as regras sanitárias da ANVISA?

E o uso de sprays em salas de aulas nas escolas?  Será que é melhor continuar de braços cruzados frente à crescente violência e o uso indiscriminado de medicamentos?  Será que para dispensar gotinhas de amor, fraternidade, aceitação, harmonia e respeito precisaremos ter um laboratório para a preparação dos florais em cada escola?

E como ficam as inúmeras iniciativas sociais incluindo as realizadas por agentes da pastoral da saúde junto as populações ribeirinhas da região Amazônica?

Vamos refletir! As essências florais pedem passagem e liberdade para avançar em seu rumo, de modo a contribuir para um futuro mais fraterno e saudável desta nação! Que a Luz possa iluminar a mente de todos os envolvidos nesta questão!

 

 

 

Texto de Rosana Souto (Maio/2019) https://cosmosdrops.wordpress.com/